Venda do 'lixo atômico' de Itu fracassa após 6 adiamentos e falta de propostas

  • 08/04/2026
(Foto: Reprodução)
Material radioativo está estocado em Itu (SP) desde a década de 1970 Reprodução/TV TEM O governo federal desistiu de vender, ao menos por enquanto, as 3,5 mil toneladas de material radioativo de baixa intensidade estocadas há quase 50 anos em um sítio em Itu (SP), no que ficou conhecido como o "lixo atômico" da cidade. A informação foi confirmada na segunda-feira (6) pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública ligada ao Ministério de Minas e Energia. Dois dias depois, a empresa complementou a informação, dizendo que avalia internamente a possibilidade de um novo processo de oferta pública. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Um chamamento público para a venda da "Torta 2" — um resíduo do tratamento do minério de monazita, composto por urânio, tório e terras-raras —, foi adiado por seis vezes em dois anos e encerrado em 13 de março sem nenhuma proposta. Segundo a INB, não haverá prorrogação do prazo. Uma tentativa anterior, em 2013, de vender o material para uma empresa chinesa, também já havia fracassado. A saga do 'lixo atômico' de Itu O material começou a ser estocado de forma clandestina em 1975, durante a ditadura militar, em uma área rural de Itu. A situação só foi descoberta em 1979, gerando uma onda de protestos na cidade. O ex-prefeito Lázaro Piunti, que governava no início do armazenamento, afirmou que o ato foi uma "agressão à autonomia do município". No terreno em Itu estão armazenadas 3,5 mil toneladas de Torta 2, um resíduo radioativo proveniente do tratamento químico do minério da monazita, composto por urânio, tório e terras taras (entenda o que é). Outras duas cidades também têm o material e estão em processo de venda. De acordo com a INB, durante o período em que o edital esteve aberto, não houve modificação de objeto e foram feitos somente ajustes pontuais, que foram publicados no formato de errata Seis prorrogações A primeira prorrogação foi feita em 30 de setembro de 2024, como vencimento em 30 de novembro do mesmo ano. Já a segunda prorrogação foi feita em novembro de 2024 e o novo prazo era 28 de janeiro de 2025. Sem interessados, a nova prorrogação foi até 29 de abril de 2025. LEIA TAMBÉM: Criado 12 anos antes de acidente radioativo com Césio-137, 'lixo' atômico revoltou moradores e segue armazenado em sítio de Itu Acima da média de SP, radiação em água de Itu não é provocada por material radioativo armazenado em sítio, diz especialista Com uma nova prorrogação, o prazo foi para julho de 2025. A quinta prorrogação mudou a data limite para 18 de dezembro de 2025. Novamente sem interessados, o processo de licitação sofreu a sexta prorrogação, que venceu em 13 de março de 2026. Outra tentativa de venda Em 2013, a INB tentou vender o material e fez um contrato com uma empresa chinesa. Uma audiência pública realizada em Itu debateu sobre a segurança do material no local e também sobre a transferência dos resíduos para a China, que teria comprado todo o material (das três unidades) por R$ 65 milhões, mas isso nunca aconteceu, pois a empresa não obteve as licenças ambientais para receber esse material na China. Em junho de 2024, no entanto, a INB publicou um novo edital de oferta pública para vender todo o material armazenado em Itu, São Paulo e Caldas (MG). Entenda o caso Sítio no interior de SP armazena 'lixo atômico' há quase 50 anos Ainda na década de 1970, um material radioativo passou a ser armazenado no bairro rural de Itu Paulo. O que inicialmente seria algo temporário passou a não ter prazo para ser removido e recebeu, dos moradores da região, o nome de "lixo atômico", que foi estocado de forma clandestina e atualmente passa por processo de regularização. O material já está estocado há pelo menos 50 anos. Em 2024, o g1 foi até Botuxim, bairro que fica a cerca de 30 quilômetros do Centro de Itu, para verificar a situação do "lixo", que também está depositado em outras duas unidades da empresa, na capital paulista e em Caldas. O material, segundo a INB, é considerado de baixa radioatividade e precisa ser estocado seguindo normas de segurança. Armazenado no Sítio São Bento, entre 1975 e 1981, o "lixo atômico" fica dentro de sete silos, que são grandes depósitos em forma de piscinas retangulares, construídas em concreto, com paredes de 20 centímetros de espessura e superfícies internas impermeabilizadas. Material conhecido como 'lixo atômico' está estocado em três locais, sendo dois em São Paulo e um em Minais Gerais Paulo Gaspar/TV TEM/Arquivo Conforme a INB, o material foi depositado a granel, sem o uso de galões, como é feito com o material estocado em Minas Gerais. Estes silos, em Itu, ocupam aproximadamente 800 m² e uma área isolada de 20 mil m², que fica dentro de um sítio que tem área total de aproximadamente 300 mil m². Em 2021, houve movimentações do município para impedir que o material depositado no bairro Interlagos, na capital, fosse transferido para Itu. A monazita, segundo a INB, é um mineral natural encontrado ao longo da costa brasileira, principalmente entre a região norte do estado do RJ e o sul da Bahia. Os produtos desse mineral eram utilizados para produzir catalisadores, vidros especiais e ligas metálicas especiais como, por exemplo, o cristal de neodímio que gera o laser utilizado em cirurgias oftálmicas. De acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), hoje o local passa por um processo de regularização, por meio de licenciamento corretivo. "A Cnen, na forma da lei, exerce o controle regulatório sobre a Unidade de Estocagem de Botuxim, para garantir a segurança nuclear e proteção radiológica dos trabalhadores, do público e do meio ambiente. Importante salientar que, embora seja uma instalação fiscalizada pela CNEN, a unidade foi construída em época anterior às etapas de licenciamento atualmente existentes, portanto, um licenciamento corretivo vem sendo implementado ao longo dos anos." É seguro? O debate continua A INB e a Cnen garantem que o local é seguro e monitorado constantemente, com análises de água e solo que, segundo eles, não apontam contaminação nos mananciais próximos. Contudo, especialistas alertam para os riscos. O físico Paulo Massoni, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), adverte que a blindagem de concreto é antiga e que um vazamento poderia contaminar o meio ambiente. "Com relação à radiação, se a atividade for elevada, o tempo exposto a ela poderá causar quebra da molécula de DNA humana ou mutação, levando a vários tipos de câncer", explica. Com o fracasso da venda, o futuro do "lixo atômico" de Itu permanece incerto, e a população local continua a conviver com o depósito radioativo em seu quintal. Conforme a INB, material está estocado a granel em sítio de Itu (SP) Reprodução/TV TEM Muro protege material radiativo estocado em sítio de Itu (SP) Marcel Scinocca/g1 Imagem atual do local onde material conhecido como 'lixo atômico' está estocado em Itu (SP) Marcel Scinocca/g1 Imagem antiga mostra placa indicando local de estocagem de 'lixo atômico' em Itu (SP) Acervo Família Piunti Unidade da INB, em São Paulo, onde parte da Torta 2 está estocada Reprodução/Google Street View INB coloca à venda mais de 15 mil toneladas de Torta 2 armazenadas em unidade desativada em MG Reprodução/EPTV Unidade da INB, em Caldas (MG), onde a maior parte da Torta II está estocada Reprodução/Google Street View Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/04/08/venda-do-lixo-atomico-de-itu-fracassa-apos-6-adiamentos-e-falta-de-propostas.ghtml


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