Uma semana após vazamento de gás tóxico, tanque segue sem emissão e bombeiros encerram atuação em Manaus
22/07/2026
(Foto: Reprodução) Vazamento de gás tóxico em Manaus bombeiros seguem resfriando tanques após 41 horas
Reprodução/Rede Amazônica
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) encerrou a atuação na ocorrência do vazamento de gás estireno registrado em uma empresa do Distrito Industrial de Manaus. A decisão foi tomada após uma nova inspeção confirmar que o tanque atingido permanece estabilizado e sem emitir gases para a atmosfera. O vazamento havia sido controlado no domingo (19).
O incidente foi registrado às 17h36 do dia 15 de junho, na Unidade IV da Innova, após o monômero de estireno armazenado no reservatório apresentar elevação anormal de temperatura. A empresa classificou a ocorrência como uma "emergência química".
Nesta quarta-feira (22), o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, confirmou que, após vistoria, o cenário permanece controlado.
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"Realizamos uma nova inspeção e constatamos que o cenário permanece completamente controlado, sem emissão de gases para a atmosfera. Com isso, o Corpo de Bombeiros conclui a fase operacional da ocorrência", afirmou.
Vazamento de gás tóxico em Manaus é contido após seis dias
Com o encerramento da atuação dos bombeiros, que ocorreu ainda na terça-feira (21), a estrutura montada para atender à emergência foi desmobilizada. A empresa responsável passará a retirar o tanque atingido e dar a destinação adequada ao material gerado pela reação de polimerização do estireno. Segundo o governo, esse processo deve ocorrer ao longo dos próximos meses.
O Governo do Amazonas informou que continuará acompanhando os trabalhos por meio dos órgãos competentes. O Corpo de Bombeiros permanecerá de prontidão caso haja qualquer alteração no cenário ou necessidade de uma nova intervenção.
Investigação da perícia
Na última segunda-feira, peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) iniciaram, nesta segunda-feira (20), os trabalhos de perícia na Unidade 4 da Innova, que busca esclarecer as causas e as circunstâncias do incidente, que é investigado pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM).
Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), nesta primeira etapa os peritos fazem uma avaliação preliminar da área e utilizam drones para registrar imagens e levantar informações que auxiliem na investigação.
O órgão informou que os trabalhos terão continuidade nos próximos dias e que todas as hipóteses relacionadas ao caso serão avaliadas tecnicamente. O laudo pericial não tem prazo para ser concluído.
Em nota, a SSP-AM também destacou que o prazo para conclusão da perícia dependerá do volume de informações e dos vestígios que ainda serão analisados.
“O laudo não possui prazo para conclusão, em razão do volume de informações que ainda serão levantadas e analisadas em conjunto com os vestígios encontrados no local”, disse a secretaria.
Vinte empresas interromperam atividades
Em entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição (JAM1), o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, revelou que mais de 20 empresas de grande, médio e pequeno porte interromperam as atividades durante o período de restrições, além da própria Suframa, que adotou trabalho remoto por dois dias.
O superintendente informou, ainda, que os prejuízos ainda estão sendo levantados pela área de estudos econômicos da autarquia e disse que a "preocupação da Suframa desde o início desse processo foi com os trabalhadores e com a população".
Em entrevista ao g1, uma moradora que vive a cerca de um quilômetro da Unidade 4 da Innova, no Distrito Industrial de Manaus afirmou, no entanto, que a população que vive no entorno da fábrica nunca recebeu qualquer orientação sobre como agir em caso de acidentes químicos envolvendo a indústria.
Questionada pela reportagem se já havia recebido informações sobre procedimentos de segurança ou orientações para moradores da região em caso de emergência química, Rosivete respondeu: “Eu nem sabia que isso podia acontecer.”
Ainda segundo Montenegro, na quinta-feira (16), a Suframa orientou que as empresas avaliassem a situação e, se necessário, liberassem os trabalhadores das atividades presenciais enquanto persistiam os riscos relacionados ao vazamento.
As atividades foram liberadas após decisão colegiada no último domingo (19) que decidiu orientar pelo retorno de atividades das empresas do Polo Industrial, unidades de ensino da rede estadual e serviços públicos, que haviam sido suspensas desde o dia do acidente.
Innova foi notificada pela Suframa
O superintendente afirmou também que, paralelamente às ações do gabinete de crise criado pelo Governo do Amazonas, a Suframa notificou a Innova para obter informações sobre o cumprimento do projeto industrial e encaminhou um expediente ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para verificar a situação da licença de operação e do plano de contingência da empresa.
De acordo com a autoridade, a atuação da Suframa está relacionada ao acompanhamento dos projetos industriais e do Processo Produtivo Básico (PPB), enquanto a licença ambiental para funcionamento é de competência do Ipaam.
Montenegro também informou que a autarquia mantém uma força-tarefa voltada à segurança industrial do Polo Industrial de Manaus. O grupo reúne órgãos como o Ipaam e o Corpo de Bombeiros para discutir medidas preventivas voltadas à redução de riscos nas indústrias instaladas na Zona Franca.
Multas à empresa
A Innova foi multada em mais de R$ 20 milhões após inspeções técnicas realizadas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e por uma força-tarefa formada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec).
Nesta sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico. A prefeitura identificou, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, uma fissura na bacia de contenção do tanque e interditou parcialmente a fábrica.
Horas depois, o Ipaam informou que a Innova foi autuada em R$ 12,5 milhões por infração à legislação ambiental, em razão da poluição atmosférica provocada pelo incidente.
Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado outra multa à empresa, de 30 mil UFMs, equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar causada pela emissão de gases.
Somadas, as multas chegam a R$ 22.401.600,00. Os recursos arrecadados com as multas aplicadas pela prefeitura serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), responsável por financiar ações da política ambiental do município. O Governo do Estado não informou a destinação do valor.
O incidente
O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.
O monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Segundo especialistas, a exposição ao produto por inalação pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dor de cabeça, tontura e náusea.
Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.