Doce ABC mantém receita há mais de 70 anos e segue entre os mais procurados da Feira do Doce de Tatuí: 'É um patrimônio', diz produtor

  • 08/07/2026
(Foto: Reprodução)
Doce ABC atravessa gerações e mantém receita de mais de 70 anos na Feira do Doce de Tatuí A Feira do Doce é considerada um dos eventos mais tradicionais de Tatuí (SP) e, mesmo acontecendo anualmente, atrai visitantes de várias cidades interessados em saborear os doces típicos e conhecer as novidades de cada edição. O evento começa nesta quarta-feira (8) e vai até domingo (12). A preparação para a feira começa meses antes da abertura do evento. Nesse período, os comerciantes se dividem entre criar novos sabores para surpreender o público e preservar as receitas que marcaram a história da feira. Afinal, tradição é justamente manter vivas as características que atravessam gerações. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Mesmo assim, os doces "de sempre" da capital do doce caseiro continuam irrestistíveis e, entre eles, está o ABC - uma sigla para abóbora, batata e cidra. O doce foi declarado Patrimônio Cultural e Imaterial da Gastronomia Tatuiana pela Lei Municipal nº 4.972, aprovada em 2015. Doce ABC é tradição em Tatuí Arquivo pessoal Luciano Lima é um dos comerciantes que estará vendendo as delícias caseiras no local. Presente desde a primeira edição, ele conta que sua família começou a produzir o doce ABC no final da década de 60. "Ele é um patrimônio histórico gastronômico nosso, aqui na cidade. Começamos a fazer em 1967, mas o doce já era feito nos anos 1950 por uma senhora chamada 'dona' Belarmina. Ela deixava os doces secando no sol. Foi passando para as pessoas", relembra. Segundo o produtor, a receita do doce ABC é bastante simples, consistindo apenas em cozinhar, descascar e acrescentar o açúcar. Para ele, a simplicidade é justamente uma das características mais importantes do doce caseiro. "Você cozinha, descasca, põe no tacho, acrescenta o açúcar e tira o ponto. Só isso, está pronto. A cada edição da festa nós vendemos cerca de 3 mil quilos do doce. É bastante coisa, as pessoas gostam bastante", pontua. ABC é sigla para abóbora, batata e cidra Arquivo pessoal Mesmo sendo um doce considerado incomum - em meio ao 'boom' do pistache e do avelã, que ganham receitas cada vez mais inimagináveis -, Luciano diz que não procura fazer adaptações para agradar novos paladares. De acordo com ele, o ABC "é o que é". "A receita começou na nossa família com o meu avô e, desde então, ela segue da mesma forma. Os ingredientes são fruta e açúcar. Sem corante, sem adoçante e sem conservante. Meu avô era uma pessoa que gostava de fazer de tudo, teve fábrica de geladeira, de gelo e sorveteria", lembra. LEIA TAMBÉM: Documentário produzido no interior de SP mostra importância da agricultura familiar: 'A nossa região é um celeiro de alimentos', diz roteirista Mandioca movimenta renda e faz parte da cultura de Buri; aprenda receita que se tornou símbolo da cidade Dia do Imigrante: descendente de libaneses ensina receita de falafel que preserva história e cultura familiar Para Luciano, os doces caseiros são uma importante parte da cultura de Tatuí, que também possui uma forte presença da música e é considerada uma estância turística. Apesar da grande quantidade de vendas do ABC, as cocadas lideram o ranking do comércio dele. "A cocada tem 12 sabores, então, ela consegue agradar uma quantidade maior de clientes. O ABC é só batata, abóbora e cidra. O de cidra é bem cítrico, então, não agrada a todos. Nós já produzimos uma quantidade menor desse sabor, pois sabemos que o pessoal não é muito aderente a ele", detalha. "Na nossa loja, temos um tour que trabalhamos com as crianças justamente para não perder a essência do caseiro, do artesanal da cidade. Nós explicamos como funciona, mostramos a fruta e cada um leva um saquinho de ABC para casa", completa. Para a edição deste ano, Luciano aposta em uma receita de pé-de-moça cremoso. Apesar da novidade, o doceiro reforça que a essência do caseiro jamais será perdida. "Todo ano, todo mundo lança alguma receita nova na Feira do Doce. Temos os tradicionais, mas o nosso cuidado é não perder a essência do caseiro. Nós poderíamos colocar um pé-de-moça coberto com chocolate, mas não. Mantemos sempre a fidelidade. No ano passado, foi o quebra-queixo gourmet", diz. Cocadas são o carro-chefe de Luciano Arquivo pessoal Pratos de filmes na vida real Do outro lado, Kailany de Almeida decidiu abraçar a modernidade. Também expositora na Feira do Doce, ela juntou os saberes da cozinha com a paixão por filmes, recriando pratos consumidos por grandes ícones do cinema. "Sempre tive bastante influência na cozinha e comecei a fazer há seis anos. Estou há cinco na feira vendendo doces temáticos. A primeira sobremesa que eu fiz foi a torta escocesa do Pica-Pau, que um amigo pediu para fazer. Levei para a feira e deu certo", conta. É possível "mergulhar" em diferentes universos fictícios a partir dos doces de Kailany. Com as receitas, saborear o "bolo gordo" do seriado iCarly e uma barra premiada - semelhante às de Willy Wonka - podem ser uma realidade muito mais próxima do que você imagina. Bolo gordo é uma das apostas de Kailany Arquivo pessoal "Também fizemos de doces que não têm um prato específico. Para este ano, a nossa aposta é um 'copo da felicidade' voltado ao Coringa. O segredo é pegar várias coisas para relembrar a infância e transformar em doce", revela. "Há muitos doces semelhantes na feira e queríamos trazer algo diferente. Como eu e minha família gostamos de filme, trouxemos para chamar a atenção do pessoal. Independentemente do público, seja criança, jovem ou idoso", complementa. Segundo Kailany, a torta escoceca é o carro-chefe do comércio. Somente no último evento, ela vendeu mais de 20 mil unidades do prato. "É um processo bastante demorado. Tem produto que leva mais tempo, outros menos. As tortas e as barras começam a ser feitas três semanas antes do evento. Os mais fáceis deixamos para mais perto. As embalagens são feitas pelo meu pai, é um negócio inteiro de família", descreve. Torta escocesa do Pica-Pau é a mais vendida por Kailany Arquivo pessoal Mais de 250 tipos de doces O diretor tesoureiro da Associação dos Produtores de Doces de Tatuí (Aprodoce), Dalmo Vítor Santos, diz que o evento conta com mais de 250 tipos de doces, divididos em 49 comerciantes. Segundo ele, a feira é uma das maiores voltadas ao comércio de doces em todo o país. "A grande maioria dos visitantes são turistas. A cidade tem 130 mil habitantes e, nos cinco dias de festa, o volume dobra. Movimenta a economia de diversas formas, desde os hotéis, restaurantes, comércio, entre outros. É um evento que, hoje, gera 1,5 mil empregos diretos", destaca. Dalmo afirma que, a cada ano, o número de visitantes aumenta. Entre os doces mais vendidos, estão o bombom de milho e de banana, que são "figurinhas reconhecíveis" na feira. "Os doces tradicionais vendem muito, mas, a cada ano que passa, lançam um produto diferenciado. Teve até brigadeiro de batata frita. Em 2025, teve o 'hype' do morango do amor, que, junto com outros produtos, gerou um faturamento de R$ 4 milhões", afirma. O evento também é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do município pela Lei Municipal nº 5.670/2022. A 12ª Feira do Doce de Tatuí ocorrerá entre quarta-feira (8) e domingo (12), das 10h às 22h, na Praça da Matriz. Outras informações podem ser obtidas no perfil oficial do evento nas redes sociais. Tatuí (SP) celebra a 12ª edição da Feira do Doce neste fim de semana Divulgação/Prefeitura de Tatuí Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/07/08/doce-abc-mantem-receita-ha-mais-de-70-anos-e-segue-entre-os-mais-procurados-da-feira-do-doce-de-tatui-e-um-patrimonio-diz-produtor.ghtml


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