'Cabelera', suspeito de envolvimento em 'tribunal do crime' do PCC, é preso em SP
08/09/2026
(Foto: Reprodução) Homem morre durante operação contra facção criminosa em São Vicente, SP
Wagner Silva Medeiros, conhecido como 'Cabelera', de 42 anos, foi preso em Cubatão (SP) durante um desdobramento da Operação Patrocínio Fiel. Ele era um dos alvos da ação, que foi deflagrada para desarticular a organização criminosa envolvida em crimes de sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra o advogado criminalista Rafaell Câmara Roque.
A vítima foi mantida refém por cerca de seis horas em um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC) em junho. Ao g1, Rafaell revelou que escapou após prometer desistir de uma ação judicial.
🔍O “tribunal do crime” é uma forma de justiça paralela, imposta por facções criminosas para controlar territórios, impor disciplina e punir desvios de conduta, operando à margem da lei.
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Após ser liberado, o advogado procurou o Ministério Público para denunciar o caso. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) iniciou uma investigação e, em agosto, deu apoio à Polícia Militar na Operação Patrocínio Fiel (veja detalhes mais abaixo).
Operação Patrocínio Fiel foi deflagrada para desarticular uma organização criminosa envolvida em crimes de sequestro, extorsão, tortura e ameaça contra um advogado
Divulgação/MP-SP
Prisão de Cabelera
Três semanas após a operação, a equipe da Delegacia Sede de Cubatão realizou um desdobramento da ação para o cumprimento de mandados de busca e prisão contra Wagner Silva Medeiros.
Conforme apurado pelo g1, Wagner foi surpreendido e preso antes de esboçar reação na tarde de sexta-feira (4) na casa onde mora no bairro Vila São José.
No local, os agentes apreenderam diversos equipamentos eletrônicos. De acordo com o MP, o material será submetido à análise e poderá fornecer novos elementos de interesse para as investigações. O g1 não localizou a defesa de Wagner até a publicação desta reportagem.
Operação Patrocínio Fiel
Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, contou ter sido sequestrado e levado para uma comunidade, onde participou de um tribunal do crime do PCC
Arquivo pessoal e Ministério Público
Com objetivo de interromper a atuação criminosa dos investigados, preservar a integridade da vítima e buscar provas para o avanço das investigações, a operação mobilizou equipes da Rota, do 3º Batalhão de Choque, do Canil e do Comando de Operações Especiais (COE) no dia 12 de agosto.
Os agentes cumpriram mandados em endereços ligados a sete suspeitos em Guarujá, São Vicente, Praia Grande e Cubatão, além de Florianópolis (SC).
A ação terminou com a prisão de William Nascimento Boaventura, apontado como responsável pela emboscada que terminou no sequestro do advogado.
O investigado José Armerindo Santos de Carvalho, conhecido como Boqueta, morreu após entrar em confronto com policiais durante a operação.
Ele era cliente de Rafaell, que o defendia em processos por porte ilegal de arma e ações contra o Estado. Durante o cativeiro, o advogado chegou a ligar para pedir ajuda a Boqueta, mas foi ignorado.
José Armerindo Santos de Carvalho morreu durante um confronto com policiais militares em São Vicente
Arquivo Pessoal e Reprodução/Redes sociais
Motivação do sequestro
Rafaell foi sequestrado após ajuizar uma ação contra uma empresa comandada pelo suposto integrante da facção Wagner Rodrigues dos Santos. O objetivo do grupo era forçar o advogado a abandonar o processo e fornecer o endereço do cliente (e ex-sócio de Wagner) que ele representava.
O profissional explicou que entrou com a ação porque seus clientes teriam sido "expulsos" da empresa por Wagner, com quem tinham relação desde a infância. O suspeito teria prometido pagar um valor referente à parcela dos sócios para que eles deixassem o negócio, o que não aconteceu.
O advogado apontou que o empreendimento, em Guarujá (SP), era de interesse do grupo criminoso por ter 440 m² em área portuária, três barcos pesqueiros, duas câmaras frigoríficas, três máquinas de limpar camarão e uma de fabricar gelo.
O g1 tentou contato com a defesa de Wagner, mas não conseguiu localizá-la até a última atualização desta reportagem.
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