Após anulação do primeiro júri, mãe acusada de envenenar filha de 9 anos para se vingar do marido é absolvida em novo julgamento em Bauru
09/06/2026
(Foto: Reprodução) Justiça realiza novo julgamento de mãe acusada de envenenar a filha em Bauru
O Tribunal do Júri absolveu nesta terça-feira (9) Edna Aparecida de Souza Ribeiro, acusada de envenenar a filha para se vingar do marido, em Bauru (SP). O caso aconteceu em agosto de 2014, quando a menina tinha 9 anos.
O novo julgamento foi realizado após a Justiça anular a primeira condenação da ré, que havia sido sentenciada a mais de 25 anos de prisão.
A sessão começou às 9h, no Fórum de Bauru. Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou a acusação pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e emprego de veneno, além de extorsão mediante sequestro.
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Segundo a denúncia do Ministério Público, Edna teria tentado matar a filha por vingança contra ex-companheiro. Na época, Edna Aparecida de Souza Ribeiro chegou a confessar à polícia que colocou veneno de rato na sopa preparada para ela e para a filha.
A investigação também apontou que, após ingerir a refeição, a criança teria sido ameaçada pela mãe com uma faca e que o pai só poderia socorrê-la depois de transferir um carro para o nome da ex-companheira. Posteriormente, o casal reatou o relacionamento.
A defesa sustentou que Edna sofre de transtornos mentais e que, na data dos fatos, estaria em surto psicótico.
Os advogados também argumentaram que não havia comprovação material do envenenamento, já que a sopa não foi periciada. A filha da acusada, hoje com 21 anos, e o companheiro prestaram depoimento em favor da ré.
Edna Aparecida de Souza Ribeiro compareceu ao Fórum da cidade
César Evaristo/TV TEM
Na época do caso, a menina foi encaminhada ao Hospital Estadual de Bauru e sobreviveu após receber atendimento médico. Mãe e filha também passaram por lavagem estomacal.
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença, por maioria, absolveu a ré dos crimes. Após a absolvição, o advogado Thiago Munaro afirmou que a defesa demonstrou aos jurados que Edna não teve intenção de matar a filha e que não havia provas suficientes para sustentar as acusações.
"É importante que a população saiba que essa absolvição, ela decorre da inocência mesmo da dona Edna. Não havia prova do envenenamento, não havia prova da extorsão, a filha que era a vítima não queria mãe presa, não queria a mãe condenada, o depoimento dela foi fundamental", afirmou o advogado.
"Nós trouxemos todo esse histórico para os jurados, também não tinha prova da extorsão mediante sequestro, foi um processo mal conduzido, foi mal julgado na primeira vez e hoje prevaleceu a verdade", completa.
Thiago Munaro, advogado de defesa de Edna Aparecida de Souza Ribeiro
César Evaristo/TV TEM
Primeiro julgamento
Em abril de 2022, Edna Aparecida de Souza Ribeiro foi condenada a 25 anos, seis meses e 13 dias de prisão. Embora tenha sido denunciada por tentativa de homicídio, acabou condenada pelos crimes de lesão corporal qualificada por motivo torpe e extorsão mediante sequestro.
Após a sentença, ela foi levada para o presídio de Tremembé (SP), mas acabou solta depois que o Tribunal de Justiça anulou o julgamento e determinou a realização de um novo júri.
Segundo o TJ, a anulação ocorreu após recursos apresentados pela defesa e pelo Ministério Público.
Os desembargadores entenderam que era necessária uma nova análise dos fatos pelos jurados, diante da produção de laudos complementares e de novas manifestações técnicas sobre a potencialidade do veneno utilizado e as consequências efetivamente verificadas na vítima.
Mãe disse em depoimento que colocou veneno na sopa
TV TEM/Reprodução/ Arquivo
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