Adolescente que planejou assassinato do próprio pai era de facção rival e forjou estupro para encobrir crime em MS, diz polícia
16/10/2026
(Foto: Reprodução) Adolescente morreu em confronto nesta quinta-feira (15)
Reprodução
A adolescente Ana Vitória Nascimento Santos, de 17 anos, que morreu nesta quinta-feira (15) em confronto com policiais civis em Nova Andradina (MS), era suspeita de planejar o assassinato do próprio pai, Gilson Santana dos Santos. Segundo as investigações, os dois tinham ligação com facções criminosas rivais.
De acordo com a Polícia Civil, Ana Vitória era suspeita de integrar o núcleo de tomada de decisões do Comando Vermelho (CV), enquanto Gilson seria ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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Segundo as investigações, Ana Vitória teria criado uma história de que havia sido vítima de violência sexual praticada pelo pai para desencadear uma ação do Comando Vermelho contra ele. No entanto, segundo as investigações, a denúncia não correspondia aos fatos, e não foi constatada a ocorrência de crime sexual cometido por Gilson.
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Suspeitos de participação em homicídios
Além de Ana Vitória, João Lucas Santos Nunes, de 23 anos, e Wermerson Costa Anjos, de 28, morreram durante o confronto. Segundo a Polícia Civil, os três eram suspeitos de integrar o CV e de participar dos assassinatos de Gilson, em 29 de setembro deste ano, e de Natalício Rodrigues dos Santos, em 5 de outubro.
As investigações apontam que os dois homicídios teriam sido cometidos por integrantes da facção. Ana Vitória era suspeita de participar da articulação da morte do pai e de integrar o núcleo de decisões da organização criminosa, com influência sobre a definição e a execução de ações atribuídas ao grupo na região.
João Lucas tinha registros policiais desde a adolescência. Em 2023, foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica. Em 2024, também foi preso em flagrante por homicídio, em Mato Grosso.
Wermerson, por sua vez, tinha registros relacionados a crimes de organização criminosa, sequestro e cárcere privado e ameaça, também em Mato Grosso. Em uma ocorrência registrada em agosto de 2025, ele foi identificado como suspeito de integrar o setor de "disciplina" do CV.
Segundo o registro policial, ele teria participado de um episódio de "tribunal do crime", no qual uma vítima teria sido mantida sob ameaça e privada de liberdade enquanto aguardava determinações de integrantes da facção para a aplicação de castigos físicos relacionados a uma suposta dívida de drogas.
De acordo com os levantamentos policiais, suspeitos de envolvimento nos homicídios estariam escondidos na casa ocupada por Ana Vitória, em Nova Andradina. A polícia também suspeitava que o imóvel abrigasse armas e uma motocicleta possivelmente utilizadas nos crimes.
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Confronto durante cumprimento de mandado
Por volta das 6h desta quinta-feira, equipes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Garras) chegaram ao imóvel, localizado na Rua Batayporã, no bairro São Vicente de Paulo, para cumprir um mandado judicial.
Segundo o registro policial, Wermerson, conhecido como Tio Baby, estava com uma pistola calibre 9 milímetros. Ainda conforme a ocorrência, ele recebeu ordem para largar a arma, mas não obedeceu e apontou o armamento na direção dos agentes, que reagiram.
Durante a entrada nos demais cômodos da casa, os policiais encontraram João Lucas, conhecido como Juquinha, e a adolescente em um dos quartos, também com armas de fogo. De acordo com a ocorrência, os dois teriam apontado os armamentos na direção dos agentes, que efetuaram novos disparos.
Os três foram atingidos. Após o confronto, os policiais constataram que eles ainda apresentavam sinais vitais, prestaram socorro e os encaminharam ao hospital. Apesar do atendimento, os três morreram.
A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia no local e auxiliar no esclarecimento das circunstâncias da ocorrência.
A ação fez parte da operação Descarrilho, que investiga a atuação de uma organização criminosa e a possível participação de integrantes do CV nos dois homicídios registrados em Batayporã, em 29 de setembro e 5 de outubro.
A operação prevê o cumprimento de seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão nos municípios de Batayporã, Nova Andradina e Bataguassu. Até o momento, a Polícia Civil não informou quantas prisões foram realizadas.
Armas, munições e motocicleta são apreendidas
Durante a operação, os policiais apreenderam três armas de fogo:
Uma pistola Taurus G2C, calibre 9 mm;
Um revólver Smith & Wesson, calibre .32;
Um revólver Taurus, calibre .38.
Também foram recolhidas 22 munições, uma delas deflagrada, além de uma motocicleta. Segundo a investigação, o veículo pode ter sido utilizado no assassinato de Gilson Santana dos Santos e será analisado no decorrer das apurações.
A operação conta com equipes de diferentes unidades da Polícia Civil, incluindo o Garras, a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) e equipes de investigação de Nova Andradina e Bataguassu. Policiais militares e uma equipe de apoio aéreo também participam da ação.
As investigações continuam para esclarecer as circunstâncias dos homicídios e apurar a participação de cada suspeito nos crimes.
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