'Me deixavam passar fome': homem feito de refém pelo Hamas relata vivência de 505 dias em cativeiro

  • 26/04/2026
(Foto: Reprodução)
No dia 7 de outubro de 2023, uma ação do grupo terrorista Hamas em território israelense deixou mais de mil mortos e fez 251 reféns. O ataque atingiu um festival de música, onde imagens registraram o desespero de pessoas correndo sob o som de tiros e explosões. Entre os presentes estava Eli-ya Cohen, que viveu momentos de horror em um abrigo improvisado. Eli-ya descreve a violência extrema daquele momento: "Eles jogaram muitas granadas num espaço em que mal cabiam 10 pessoas. Era de dois metros por dois metros. Estávamos, lá dentro, 29 pessoas". Ele foi capturado e levado para um cativeiro em um túnel subterrâneo dentro da Faixa de Gaza. A permanência no cárcere durou um ano, quatro meses e 16 dias — um total de 505 dias de privações severas. "Eles me deixavam passar fome, não me davam comida, não me davam bebida, não me deixavam ver a luz. Me prenderam com correntes de ferro pesadas a outro refém. Não me deixavam usar o banheiro, não me deixavam dormir". Diante de tamanha brutalidade, ele admite que o desânimo foi constante: "Em muitos momentos, eu realmente pensei em desistir. Mas, então vinha à minha mente: mas você está vivo, não era isso que você pedia? Seja forte". Durante o tempo isolado, sua maior preocupação era o bem-estar da família e, principalmente, de Ziv Abud, sua companheira havia seis anos e meio. Os dois estavam juntos no festival no dia do ataque. Ziv conseguiu escapar, mas Eli-ya foi levado sem saber se ela havia sobrevivido. A dúvida o acompanhou por todos os dias de cativeiro. Mesmo sem notícias, a lembrança da noiva se tornou um dos pilares de sua resistência. Nos túneis, ele escrevia cartas imaginando que um dia poderia entregá-las a ela. Em uma delas, registrou: "Amor da minha vida. Não sei se você está lá fora me esperando — seja forte, eu vou sobreviver, e tudo vai ficar bem. E se você estiver no céu — então você está vendo tudo o que estou passando agora. E eu te prometo: vou sair daqui, vou construir uma vida, e vou fazer tantas coisas pelo resto da minha vida por você, e escrever muitas cartas. Porque eu preciso, eu acho". Além da esperança de rever Ziv, Eli-ya também se agarrou a pequenos objetivos diários para suportar o cárcere. Nos túneis, ele aprendeu inglês com a ajuda de outro refém e um livro. Ele decorou 2.4 mil palavras do idioma. "Pedi a outro refém para me ensinar inglês. E toda noite a gente sussurrava conversas em inglês", contou. Libertado em fevereiro de 2025, Eli-ya finalmente descobriu que Ziv havia sobrevivido. O reencontro dos dois foi marcado por um abraço carregado de emoção. Depois de 505 dias de medo, saudade e incerteza, os dois puderam se tocar novamente. Desde então, Ziv passou a acompanhar Eli-ya em compromissos públicos e viagens. Ela esteve ao lado dele também no lançamento do livro Mufawadat, no Brasil. O título significa negociação, palavra que se tornou rotina no cativeiro. "Eu precisava implorar aos terroristas por um pedaço de pão ou por mais um copo de água ou algo assim. Eu fazia negociação na maior parte do tempo lá", explicou. Hoje, Eli-ya diz que quer transformar a dor em mensagem de esperança. "Eu preciso escrever sobre isso porque, antes de tudo, quero dar esperança às pessoas. Porque se eu consegui sair daquele lugar, então qualquer pessoa no mundo pode superar qualquer coisa". Ao lado de Ziv, ele tenta reconstruir a vida interrompida pelo ataque terrorista. O casal agora planeja o casamento, marcado para agosto. Antes do sequestro, Eli-ya já havia comprado um anel e pretendia pedi-la em noivado. O plano foi interrompido pela violência, mas não destruído. Na última página do livro, ele faz uma promessa: dali em diante, ele e Ziv escreverão juntos os próximos capítulos da história de amor. Homem feito de refém pelo Hamas relata vivência de 505 dias em cativeiro Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/04/26/me-deixavam-passar-fome-homem-refem-hamas-relata-vivencia-de-505-dias-em-cativeiro.ghtml


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