Como Trump recuou e ganhou mais tempo para negociar acordo com o Irã

  • 22/04/2026
(Foto: Reprodução)
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que estenderia o cessar-fogo com o Irã, previsto para expirar na noite de quarta-feira (22/4). Daniel Heuer/Pool/EPA/Shutterstock via BBC A terça-feira (21/4) começou como um dia frenético de diplomacia nos Estados Unidos, com o Air Force Two (avião oficial do vice-presidente americano) pronto para levar o vice-presidente J.D. Vance a Islamabad, capital do Paquistão, para mais uma rodada de negociações de paz entre os EUA e o Irã. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp AO VIVO: Acompanhe as últimas notícias da guerra no Oriente Médio Poucas horas depois, a aeronave ainda não havia decolado e as negociações foram adiadas. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que estenderia o cessar-fogo com o Irã, previsto para expirar na noite de quarta-feira (22/4), sob o argumento de que daria mais tempo ao Irã para formular uma "proposta unificada" para encerrar a guerra. Nesse intervalo, Trump avaliou as suas opções enquanto o mundo aguardava para saber se os países estavam mais próximos de pôr fim ao conflito. A decisão de Trump marcou a segunda vez em duas semanas que ele recuou de uma ameaça de intensificar a guerra, ganhando mais tempo para encerrar um conflito que se aproxima de dois meses. Vance nunca anunciou oficialmente a viagem a Islamabad, o que deixou os EUA em dúvida. E o Irã também não confirmou oficialmente presença nas negociações, colocando a Casa Branca diante da difícil decisão de enviar ou não o vice-presidente dos EUA sem garantia de que o Irã participaria das conversas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Com o passar do dia, surgiram sinais de um adiamento. O enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, integrantes da equipe de negociação liderada por Vance, voaram de Miami para Washington D.C., em vez de seguir diretamente para Islamabad. Pouco depois, Vance foi à Casa Branca para "reuniões de política", enquanto o presidente Trump e seus principais assessores discutiam os próximos passos. No fim, Trump anunciou a extensão do cessar-fogo na rede Truth Social, seu principal meio de comunicação sobre a guerra desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Trump afirmou que tomou a decisão a pedido do Paquistão, que tem mediado as negociações entre o Irã e os EUA. "Nos solicitaram suspender nosso ataque ao Irã até que seus líderes e representantes possam apresentar uma proposta unificada", disse Trump. Vale notar que, desta vez, Trump não especificou por quanto tempo o cessar-fogo poderá durar. No início deste mês, ele havia estipulado um prazo de duas semanas para o primeiro cessar-fogo. Isso ocorreu após declarações contraditórias em entrevistas à imprensa, nas quais afirmou que as negociações avançavam bem, mas também advertiu que consideraria retomar a guerra caso o Irã se recusasse a negociar. "Não existe uma fórmula clara" para encerrar guerras, explicou James Jeffrey, ex-embaixador americano no Iraque e na Turquia, em entrevista à BBC. Trump não é o primeiro presidente dos EUA a "ameaçar uma escalada militar significativa", acrescentou Jeffrey, "ao mesmo tempo em que coloca uma proposta favorável à mesa". Uma tela digital exibe a mensagem 'Bem-vindo a Islamabad' enquanto o Paquistão se preparava para receber os EUA e Irã para a segunda fase das negociações de paz na capital, que foram adiadas na terça-feira (21/4). Reuters/Akhtar Soomro via BBC A declaração em aberto de Trump na terça-feira foi mais moderada do que suas críticas anteriores ao Irã em postagens nas redes sociais. Isso pode indicar o desejo de encerrar um conflito que tem abalado a economia global e é impopular entre apoiadores anti-intervencionistas de sua base Make America Great Again (Maga, ou "Faça a América Grande Novamente", em tradução livre). "Esta é uma decisão pragmática, baseada em fissuras bastante evidentes na atual liderança do governo iraniano", disse Brian Katulis, pesquisador sênior do Middle East Institute, nos EUA. Mas Katulis disse que a decisão de Trump também gerou mais incerteza sobre quanto tempo a guerra vai durar. "Essa medida levanta a questão de como Trump lidará com o impacto econômico que os americanos estão sentindo e com o custo político dentro de sua base", disse. "Ele ainda não respondeu às questões que continuam alimentando essa crise." Com a extensão do cessar-fogo, os EUA e o Irã agora têm mais tempo para fechar um acordo de paz duradouro. Mas grandes questões permanecem em aberto. O Irã afirma que o bloqueio americano ao estreito de Ormuz pelos EUA constitui um ato de guerra. Embora Trump tenha optado por não retomar imediatamente o conflito, não deu sinais de que pretende encerrar o bloqueio, que os EUA esperavam usar para pressionar o Irã. Até agora, isso não ocorreu, deixando Trump com menos alternativas além de intensificar a campanha militar. O Irã, por sua vez, não sinalizou interesse em encerrar seu programa nuclear nem em abandonar o apoio a grupos no Oriente Médio (a exemplo do Hezbollah), duas chamadas "linhas vermelhas" que Trump exige incluir em qualquer acordo de paz final. Trump ganhou mais tempo. Mas uma resolução rápida para a guerra, por ora, parece tão distante quanto sempre foi.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/22/como-trump-recuou-e-ganhou-mais-tempo-para-negociar-acordo-com-o-ira.ghtml


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